Academia do Oscar se recusa a apoiar publicamente documentarista palestino, Hamdan Ballal

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pelo Oscar, se recusou a apoiar publicamente o cineasta palestino Hamdan Ballal, vencedor do prêmio de Melhor Documentário com No Other Land - ‘Sem Chão’, após ele ser espancado e detido por colonos israelenses e soldados na Cisjordânia. O ataque aconteceu em 24 de março, quando Ballal e outros palestinos foram agredidos por colonos israelenses na vila de Susya. Ballal foi preso por israelenses após tentar chamar uma ambulância para as vítimas.
Embora a Academia tenha sido pressionada por diversos membros, especialmente do ramo de documentários, a instituição optou por não emitir uma declaração de solidariedade em nota oficial publicada. Segundo relatos, a justificativa apresentada pela Academia foi que, como outros palestinos também foram agredidos no ataque, a situação não seria considerada diretamente relacionada ao filme, o que levou à recusa em se manifestar publicamente sobre o incidente.
A declaração enfatizou que a missão da Academia é honrar a excelência nas artes cinematográficas e promover o poder do cinema como uma ferramenta para conectar pessoas e destacar diferentes perspectivas. Apesar de condenar agressões a artistas por seus trabalhos ou opiniões, a Academia disse que, devido à diversidade interna de sua comunidade, evita tomar posições políticas ou sociais que possam representar os interesses de todos os seus membros.
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A recusa foi criticada publicamente por Yurval Abraham, co-diretor de Sem Chão, que acusou a Academia de não ter prestado apoio a Ballal enquanto ele sofria agressões e tortura. Em publicação nas redes sociais, Abraham lembrou que outras organizações, como a Academia Europeia e vários festivais de cinema, expressaram solidariedade a Ballal.
Abraham destacou que o ataque foi motivado pela produção do documentário, além da identidade palestina de Ballal. Durante a tortura, os soldados teriam zombado do Oscar conquistado, segundo Ballal.
Abraham concluiu que ainda há tempo para a Academia mudar sua postura e emitir uma declaração condenando o ataque, o que representaria um impedimento para futuras agressões.
Foto de Capa: International Documentary Association - IDA
Com informações de Jornal Brasil de Fato e Mídia Ninja