Frente Ampla pelo Audiovisual Brasileiro defende que 12% das receitas obtidas no Brasil pelas plataformas de streaming sejam investidos no setor audiovisual brasileiro

Carta enviado ao governo federal e parlamentares alerta sobre risco de regulamentação debatida entre o MinC e o Congresso Nacional prejudicar a indústria do cinema e televisão no Brasil
A Frente Ampla pelo Audiovisual Brasileiro, que reúne dezenas de produtores audiovisuais independentes, sindicatos e associações de profissionais, defende em carta encaminhada no último sábado ao governo e parlamentares que a regulamentação das plataformas de streaming no Brasil garanta uma contribuição de 12% dos faturamento bruto destas empresas obtido no Brasil ao Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), principal fonte pública de financiamento do setor.
Também pede que 70% deste valor seja obrigatoriamente destinado ao FSA, sendo os 30% restantes investidos exclusivamente em obras independentes brasileiras e que o desconto máximo nesta contribuição seja de 50%, para plataformas com mais de 70% do catálogo de filmes e séries nacionais.
Atualmente tramitam no Congresso Nacional dois projetos para regulamentação no setor no Brasil, o PL 8889/2017 do senado Eduardo Gomes (PL/TO) e o PL 2331/2022 do Dep. Federal André Figueiredo (PDT/CE).
Segundo as entidades que assinam a carta, nos últimos dias houve a circulação de informações de que o governo federal estaria considerando, nas negociações com as casas legislativas, aceitar condições extremamente favoráveis apenas às plataformas estrangeiras, como um valor baixíssimo de contribuição e ainda descontos para obras de propriedade internacional, cujos lucros não ficam no Brasil, como filmes e séries originais das empresas com sede nos EUA.
Uma proposta que prejudicaria gravemente a indústria audiovisual nacional, que garante milhares de empregos e é um dos motores da economia do nosso país.
A contribuição de 12% foi defendida pelo Conselho Superior de Cinema - indicado pelo próprio governo - em moção de maio do ano passado. Além disso, para efeito de comparação, o valor de 12% aproxima o Brasil do valor de contribuição praticado na França (25,5%), um mercado muito menor do que o nacional. Atualmente, o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking de consumo mundial de vídeos sob demanda, perdendo apenas para a Nova Zelândia, segundo o último relatório Finder (2021).
A carta defende ainda a valorização da produção nacional na regulamentação, com garantia de um percentual mínimo de 20% de conteúdos brasileiros nas plataformas e canais de exibição, e a proeminência das obras brasileiras: garantia de que conteúdos nacionais tenham destaque nos catálogos, aparecendo em recomendações, rankings e buscas, facilitando o acesso do público às produções nacionais.
Entre os principais pontos da carta, a Frente Ampla pelo Audiovisual Brasileiro defende:
- Regulação das plataformas de streaming: Implementação de regras que exijam investimentos de pelo menos 12% da receita bruta das plataformas no audiovisual brasileiro;
- Valorização da produção nacional: Garantia de um percentual mínimo de 20% de conteúdos brasileiros nas plataformas de streaming e canais de exibição;
- Investimento direto pelas plataformas: máximo de 30% destinados exclusivamente à pré-licenciamento, licenciamento e preservação de obras brasileiras independentes.
- Proeminência das obras brasileiras: Garantia de que conteúdos nacionais tenham destaque nas plataformas de streaming, aparecendo em recomendações, rankings e buscas, facilitando o acesso do público às produções nacionais.
Na semana passada, integrantes da frente participaram de reuniões estratégicas com importantes interlocutores, incluindo um encontro no dia 26 de março com o vice-presidente, Geraldo Alckmin, no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), com a deputada Jandira Feghali (PCdoB), atual relatora deum dos projetos em discussão, bem como com representante do Ministério da Cultura, o Secretário Executivo Márcio Tavares.
Após a reunião o setor foi surpreendido com matéria afirmando que um dia antes da reunião com Geraldo Alckmin o MinC, com intermédio de seu Secretário Executivo Márcio Tavares, já havia sido acordado com o Senado e Câmara uma contribuição de 4%, notícia que no dia seguinte foi negada pelo Ministério da Cultura, que afirmou em nota defender um mínimo ser 6%, valor ainda distante dos 12% defendido pelo setor.
Para continuar a termos uma industria e uma competição justa é necessário que tenhamos esta regulação dessas plataformas, mas para que isso se concretize de fato precisamos de uma que não beneficie os estrangeiros e sim as empresas brasileiras de todos os portes, já que sabemos que o pequeno empresário é o que mais sofre com as regras e leis de nosso país.
Confiamos que somente desta maneira será possível construir um projeto justo e benéfico para a indústria audiovisual e o Brasil.
O Brasil atualmente está atrasado nesse debate em relação a outros países do mundo, como a França, onde já se discute a terceira onda regulatória.
As entidades que assinam este documento colocam-se à disposição para seguirem em diálogo, na certeza de possíveis avanços nessa regulação em defesa da soberania nacional.
ABPA - Associação Brasileira de Preservação Audiovisual
ABRA -Associação Brasileira de Autores Roteiristas
ABRACI -Associação Brasileira de Cineastas do Rio de Janeiro
ABRANIMA -Associação Brasileira de Empresas de Animação
Agência de Desenvolvimento do Polo Audiovisual da Zona da Mata de Minas Gerais
ANDAI – Associação Nacional dos Distribuidores do Audiovisual Independente
APACI - Associação Paulista de Cineastas
APAN - Associação de Profissionais do Audiovisual Negro
APC-BA - Associação dos Produtores e Cineastas da Bahia
APROCINE - Associação de Produtoras de Cinema e Audiovisual de BrasíliaAssociação de Cinema e Audiovisual de Ouro Preto e Mariana.
Associação dos Streamings Independentes do Brasil
ATCIMG - Associação de Trabalhadores do Cinema Independente de Minas Gerais
AUTORAIS - Associação de Autores Roteiristas da Bahia
CEAVI - CEARA AUDIOVISUAL INDEPENDENTE
CENA - Centro de Análise do Cinema e do Audiovisual
COMA - Coletivo Mineiro de Animação
CONNE - Conexão Audiovisual Centro Oeste, Norte e Nordeste
FAMES- Fórum Audiovisual de Minas Gerais, Espírito Santo e Sul do Brasil PR, SC e RS
FORCINE - Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual
GAMA - Associação de Produtores de Games e Animação da Bahia
MUMIA ( Mostra Undigrungi Mundial de Animação)
Museu da Animação de Belo Horizonte
PAVIC - Pesquisadores de Audiovisual, Iconografia e Conteúdo
PRÓFILME - Associação da Produção Independente do Distrito Federal e Centro-Oeste
SANTACINE - Sindicato da Indústria Audiovisual de Santa Catarina
SIAPAR - Sindicato da Indústria Audiovisual do Paraná
SIAV - Sindicato da Indústria Audiovisual do Rio Grande do Sul
SINAES - Sindicato da Indústria Audiovisual do Espírito Santo
SINDAV - Sindicato da Indústria Audiovisual de Minas Gerais
SINDCINE - Sindicato Trabalhadores da Indústria Cinematográfica e Audiovisual dos Estados SP, RS, GO, MT, MS e DF
SINTRACINE - Sindicato dos Trabalhadores do Cinema e Audiovisual de Santa Catarina
SOCINE - Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e AudiovisualSTIC - Sindicato interestadual dos Trabalhadores na Indústria
Cinematográfica e do Audiovisual
Associação Artística e Assistencial Russilvania Galo - Varginha/MG
Associação Casa Volante - Guapé/MG
OSC CACI - Casa de Apoio ao Cidadão
Ponto de Cultura Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos bairros
Interlagos e Dona Quita - Divinópolis/MG
Ponto de Cultura Face de Deus - Passa Tempo/MG
Ponto de Cultura Cine Canoas - São Francisco/MG
Pontão - Casa de Cultura Contendas - Brasília de Minas/MG
Ponto de Cultura e Memória IGEPP -Instituto de Gestão Pública e Projetos Itapecerica/MG